Deus não está no controle do mundo. E essa afirmação não significa que Deus não tenha poder. Pelo contrário, Deus tem todo o poder. Quando digo que Deus não está no controle do mundo, não é por falta de poder ou por falta de capacidade, mas sim por decisão. Foi uma escolha dele. Deus decidiu não estar no controle do mundo. Simples assim.
Deus criou o ser humano. Deus criou o planeta Terra. Deus criou a natureza. Deus criou todas as coisas. E, quando criou o planeta Terra, a natureza e o ser humano, Ele decidiu — foi uma escolha — não estar no controle do mundo. Ele entregou o controle do mundo ao ser humano. Portanto, o que acontece no mundo é consequência da gestão humana. Os recursos foram criados por Deus, a ideia é de Deus, o projeto é de Deus, a implantação e a criação são de Deus. Mas, depois de concluída a criação, Deus decidiu entregar ao ser humano. Assim, o mundo não está sob o controle de Deus; o mundo está sob o controle do ser humano.
Como foi Deus quem criou tudo, Ele estabeleceu limites naturais. Por exemplo: o ser humano não pode virar o pescoço completamente para trás, pois morrerá. Isso acontece por causa da forma como fomos criados. Deus criou o oxigênio que proporciona vida ao ser humano. Essas regras e princípios estabelecidos por Deus não significam que Ele controla o mundo; Ele apenas criou. Deus criou o planeta Terra, inventou a vida e criou o ser humano. Porém, a gestão do mundo, do planeta e da vida foi entregue integralmente ao ser humano. Portanto, Deus não está no controle do mundo. Quando Deus criou a natureza, estabeleceu um funcionamento como um algoritmo: o sol evapora a água, formam-se nuvens, depois vem a chuva e o ciclo continua. Deus criou esse funcionamento, mas não está controlando cada evento. Foi uma programação estabelecida na criação.
Deus deu ao ser humano a capacidade de rejeitá-lo. Nós temos a capacidade de rejeitar Deus não porque somos poderosos, mas porque o próprio Deus nos deu essa capacidade. Assim como Deus deu ao pássaro a capacidade de voar e ao ser humano a capacidade de sentir sabores, também deu ao ser humano a capacidade de rejeitar o próprio Criador. O ser humano possui liberdade para virar as costas para Deus. A autonomia concedida ao ser humano é tão grande que ele não governa apenas sobre a terra e a natureza, mas possui liberdade até para rejeitar quem o criou. Essa foi a autonomia dada por Deus ao ser humano. O ser humano pode, sim, fugir de Deus e rejeitá-lo.
Se um ser humano decide matar outro, ele vai conseguir. Deus não irá impedi-lo. Se alguém decide violentar uma criança, isso vai acontecer, pois Deus não irá intervir. Outro ser humano pode impedir, mas Deus não intervirá. Não é porque Deus não se importa. Pelo contrário, Deus se importa. Deus disse, em essência: “você pode fazer o que quiser, inclusive me rejeitar.
Não é isso que eu desejo, mas você pode. Minha vontade é que você ame as pessoas, respeite o próximo e tenha um bom relacionamento comigo”. Deus deseja amizade, mas não obriga, não manipula e não destrói quem o rejeita. Assim, quando o ser humano escolhe o mal, não é o desejo de Deus, mas Ele não intervém porque respeita a liberdade que concedeu. Quando você vê um assassinato, lembre-se: é fruto de uma escolha humana baseada na liberdade recebida. Um dos maiores gestos de amor é não obrigar alguém a fazer aquilo que queremos. Se uma pessoa consegue fazer algo que Deus não gostaria, isso só é possível porque Deus a ama. Se não amasse, impediria tudo. Mas, por amor, concedeu liberdade, inclusive a liberdade de rejeitá-lo.
A não intervenção de Deus não é sinal de indiferença, ausência ou falta de amor, mas justamente a consequência mais profunda do amor verdadeiro. Amar não é controlar, não é impedir escolhas, não é forçar comportamentos nem eliminar a liberdade do outro para evitar que ele erre. O amor genuíno concede autonomia, mesmo sabendo que essa autonomia pode resultar em decisões dolorosas ou equivocadas. Ao permitir que o ser humano escolha, inclusive escolher o caminho errado ou afastar-se dele, Deus demonstra um amor que não é possessivo nem manipulador. Um amor que respeita a liberdade concedida, que não obriga obediência e que não anula a responsabilidade humana. Assim, a ausência de intervenção não representa abandono, mas respeito à liberdade que o próprio amor decidiu entregar.
"Deus NÃO está no controle" foi escrito por Joe Amaral em Fevereiro de 2026