Não vai dar tempo. Quando alguém diz isso, costumo concordar, porque é verdade: um dia, 24 horas, não são suficientes para fazer tudo o que precisamos. Uma semana também não basta. Nem mesmo um mês dá conta de realizar tudo o que desejamos. Mesmo que tenhamos dinheiro, saúde, disposição e motivação, ainda assim não é o bastante. Com todos os recursos possíveis à disposição, a vida continua limitada. Ou seja: simplesmente não há tempo suficiente.
E é por isso que, ao acordar, talvez a única certeza seja essa — que o tempo não vai dar. Não conseguiremos concluir todas as tarefas, dizer tudo o que precisa ser dito, ensinar tudo o que precisa ser ensinado. Sempre haverá algo que ficará para depois. Vamos terminar o dia, a semana, o mês — e talvez a vida — com pendências. Coisas importantes ficarão inacabadas ou esquecidas. Não por falta de esforço, mas porque o tempo é finito.
Diante disso, lidamos com perdas. E o desafio não é só conviver com elas, mas também escolher quais serão. Definir prioridades, na prática, é decidir o que estamos dispostos a abrir mão. Há tarefas que precisam ser feitas, mas mesmo assim, vamos escolher viver sem realizá-las.
Sabendo disso, a pergunta muda: “O que vou deixar de fazer hoje?” Entre tantas demandas, é necessário aceitar que algumas ficarão para trás. São clientes que não serão contatados, viagens que não acontecerão, lugares que nunca visitaremos. Essas escolhas fazem parte do processo.
Então, sim: conviver com perdas é essencial. Mas mais do que isso, é preciso selecioná-las com consciência. Se temos dez atividades para executar, devemos escolher quais não faremos. Elas não devem ser esquecidas, mas reconhecidas — sem culpa. Talvez, no decorrer do dia, surja algo novo que mude essa escolha, e tudo bem. Se aparecer uma tarefa mais importante, podemos trocar. Isso é priorizar.
No fim, sabemos: não faremos tudo. E está tudo bem. O essencial é ter clareza sobre o que deve ser feito, o que gostaríamos de fazer e o que, realisticamente, deixaremos de lado.
E lembre-se: sempre haverá mais coisas não feitas do que feitas. Quem olha de fora pode julgar. Até nós mesmos podemos nos criticar. Mas a conta nunca fecha se o foco estiver só no que ficou para trás.
Por isso, na hora de avaliar resultados, baseie-se no que foi realizado. É esse olhar que traz paz, direção e leveza para seguir em frente.
"Não vai dar tempo" foi escrito por Joe Amaral em Julho de 2025